"- Então, para você, descrever uma bela mulher é tão simples quanto contemplá-la?
Bast baixou os olhos e enrubesceu, e Kvothe pôs a mão em seu braço, com delicadeza, sorrindo:
- O meu problema, Bast, é que ela é muito importante. Importante para a história. Não consigo pensar num modo de descrevê-la sem ficar aquém da realidade.
- Acho... acho que entendo, Reshi - disse Bast em tom conciliatório. - Também a vi. Uma vez.
Kvothe reclinou-se na cadeira, surpreso.
- Foi mesmo, não é? Eu havia esquecido - disse. Pressionou a boca com as mãos. - E como você a descreveria?
Bast se iluminou ante essa oportunidade. Endireitando-se na cadeira, assumiu um ar pensativo por um momento e disse:
- Tinha orelhas perfeitas.- Fez um gesto delicado com as mãos. - Orelinhas perfeitas, como se tivessem sido entalhadas em... alguma coisa.
O Cronista riu, depois pareceu voltar atrás, como se tivesse surpreendido a si mesmo.
- Orelhas? - perguntou, como se não tivesse certeza de haver escutado direto.
- O senhor sabe como é difícil encontrar uma moça bonita com o tipo correto de orelhas - retrucou Bast com ar displicente.
O Cronista tornou a rir, parecendo achar mais fácil fazê-lo da segunda vez.
- Não. Tenha certeza de que não sei.
Bast lançou um olhar de profunda piedade ao colecionador de histórias.
- Bem, nesse caso, terá que aceitar minha palavra. As dela eram excepcionalmente bonitas."

- O Nome do Vento, Patrick Rothfuss