Perguntas


"São as perguntas que não sabemos responder que mais nos ensinam. Elas nos ensinam a pensar. Se você dá uma resposta a um homem, tudo o que ele ganha é um fato qualquer. Mas, se você lhe der uma pergunta, ele procurará suas próprias respostas.

Assim, quando ele encontrar as respostas, elas lhe serão preciosas. Quanto mais difícil a pergunta, com mais empenho procuramos a resposta. Quanto mais a procuramos, mais aprendemos."

O Temor do Sábio - Patrick Rothfuss

Incendiário

"O que poderia ser um simples brado da palavra 'não' é distorcido em algo maior pelo vento quando Celia grita. A agonia da voz dela dilacera Marco como todas as lâminas da coleção de Chandresh combinadas".

- O circo da noite; Erin Morgenstern

Monstros

"Não tenho mais nenhum compromisso com aqueles monstros chamados seres humanos. Eu mesma me desprezo por fazer parte deles. Acho que Peeta tinha certa razão quando disse que poderíamos destruir uns aos outros e deixar que outras espécies decentes assumissem o planeta. Porque há algo significativamente errado com uma criatura que sacrifica as vidas de seus filhos para resolver suas diferenças. Para onde quer que você se vire, você enxergará esse tipo de visão de mundo".

Katniss Everdeen em "A Esperança" (por Suzanne Collins)

Indestrutíveis

Somos capazes de sobreviver a essas coisas horríveis, pois somos tão indestrutíveis quanto pensamos ser. Quando os adultos dizem: "Os adolescentes se acham invencíveis", com aquele sorriso malicioso e idiota estampado na cara, eles não sabem o quanto estão certos. Não devemos perder a esperança, pois jamais seremos irremediavelmente feridos. Pensamos que somos invencíveis porque realmente somos. Não nascemos, não morremos. Como toda energia, nós simplesmente mudamos de forma, de tamanho e de manifestação. Os adultos se esquecem disso quando envelhecem. Ficam com medo de perder e fracassar. Mas essa parte que é maior que a soma das partes não tem começo e não tem fim, e, portanto, não pode falhar.
Quem é você, Alasca? - John Green

Labirinto

"Passamos a vida inteira no labirinto, perdidos, pensando em como um dia conseguiremos escapar e em quanto será legal. Imaginar esse futuro é o que nos impulsiona para a frente, mas nunca fazemos nada. Simplesmente usamos o futuro para escapar do presente."
Alasca Young em "Quem é você, Alasca?" 
É verdade o que ela diz. Pelo menos quando aplicado a minha vida.
Não sei exatamente qual é o problema, não consigo descobrir. Fico fantasiando o dia em que tudo mudará. Uso a desculpa, de que se eu esperar pacientemente tudo ficará legal, como uma forma de levantar de manhã, dia após dia.
Preciso urgentemente mudar as coisas, escolher uma direção e andar firme nela. A questão é que nunca fui muito firme com as promessas que faço a mim mesmo.
Talvez eu esteja esperando que alguém me tire do labirinto. Que um dia eu acorde, venha alguém, me puxe pela mão e diga "olha só, chega! Faça isso, faça aquilo. Abandone isso", etc.
É claro que no fundo eu sei que ninguém o fará por mim. Eu preciso criar coragem - seria esse o termo mais adequado? Não me sinto acovardado - e tomar o papel principal na minha vida. Abandonar essa posição de coadjuvante de meus próprios atos.
Ficar com auto piedade não ajuda em muita coisa. Mas como fazer para não ficar me lamentando? Tá eu reconheço que é errado e que isso só me afunda ainda mais, mas o que devo fazer para não ter esse tipo de pensamento?
Enfim, acho que pensar (e fantasiar) demasiadamente no futuro não é muito saudável... é mais uma forma diferente de nostalgia que qualquer outra coisa.

Ambição voraz

Era muito provável que eu nunca mais fosse ver o oceano de uma altura de trinta mil pés de novo, uma distância tão grande que não dá nem para distinguir as ondas, nem nenhum barco, de um jeito que faz o oceano parecer um enorme e infinito monólito. Eu poderia imaginá-lo. Eu poderia me lembrar dele. Mas não poderia vê-lo de novo, e me ocorreu que a ambição voraz dos seres humanos nunca é saciada quando os sonhos são realizados, porque há sempre a sensação de que tudo poderia ter sido feito melhor e ser feito outra vez.
E mesmo se você conseguir chegar aos noventa anos, deve dar essa mesma sensação - embora eu inveje as pessoas que têm a oportunidade de comprovar isso. Mas, pensando bem, eu já tinha vivido o dobro do tempo que a filha do Van Houten. O que ele não teria dado para ter uma filha morta aos dezesseis anos...
A culpa é das estrelas - John Green

A lua em eterno movimento

esse moldador de sombrio e mutável olhar
a mão estendeu para o céu negro tocar.
arrancou a lua, mas não a manteve parada.
e agora ela oscila entre mortal e encantada.

tua história, aí a tens.
são o teu como e o teu quem.
resta agora um segredo final.
atenta, mocho, com teu ouvido mortal.

tem a lua nossos dois mundos enfeitiçados,
qual pais ao mesmo filho agarrados.
cada um para seu lado a puxar,
sem que possam reter nem largar.

quando puxada, em teu céu pela metade,
vês a distância que nossa união invade.

por longo o tempo que nos beijemos,
nenhuma força nesse espaço exercemos.

e quando a tua lua brilha, cheia,
todos os encantados prende em sua teia.
impele-nos para junto feito açoite,
e então, uma visita de uma noite
é fácil como um largo portal cruzar,
como em mansa praia aportar.

e foi assim que, vagando nos ermos, sozinho,
Feluriana encontraste, varãozinho.

E de todos o Encantados isso é verdade?
sabendo o caminho e tendo vontade,
mil portas semicerradas
mantêm teu mundo e o meu interligados.

E como isso nunca foi sabido?
Seria difícil passar despercebido.
Fadas dançando pelo mortal relvado...
assim não se deu há pouco, no passado?
longo é o tempo e vasto o chão,
mas inda assim me ouviste a canção,
antes de ali me veres a cantar,
penteando o cabelo com o luar.

Parece-me, porém,
que outros outros sinais haveria desse vaivém.
sutis e furtivos são os encantados,
leves qual fumaça em passos ensaiados.
envoltos em sombras circulam uns entre os teus,
ora carregados de fardos como pobres plebeus,
ora, talvez, em mantos de rainha vestidos.
sabemos agir para não ser percebidos.

muitos haveria, os de tipo mais malsão,
ávidos por usar os teus por diversão.
o que lhes barra esse ataque enluarado?
o ferro, o fogo, o vidro espelhado.
o olmeiro, o freixo e facas de cobre,
esposas camponesas de coração nobre,
que as regras conhecem dos jogos que fazemos,
que pão nos deixam, e a distância mantemos.
mas o pior de tudo, o que mais pavor nos traz,
é o poder que perdemos ao pisar na terra dos mortais.

enquanto ela está cheia, teu riso é precioso,
mas fica tu sabendo que há um lado tenebroso.

teme o sensato mortal
a noite sem do luar um sinal.

em noite assim, a cada pequeno passo,
a escura esteira da lua te aprisiona em seu laço.
para o mundo encantado te sentes atraído, sem querer.
e lá, nada te restará senão permanecer.

em terreno tão inexplorado a pisar,
que pode um mortal senão se afogar?

faço isso para que não deixes de escutar.
o homem sábio teme as noites sem luar.

O Temor do Sábio - Patrick Rothfuss